Criado em 2002, envolvendo inicialmente 50 famílias, o Programa de Agricultura Familiar e Produtores Integrados da Agropalma engloba hoje 439 agricultores familiares (propriedades até 12 hectares) e 66 produtores integrados (área acima disso). Trata-se de uma iniciativa pioneira no segmento de palma para atender pequenos produtores que até então viviam da agricultura de subsistência e do extrativismo, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e o fortalecimento da economia local – mais de R$ 500 milhões já foram pagos aos produtores nos últimos 10 anos (2015 a 2024) e atualmente são gerados 1. 120 empregos.
Funciona assim: a companhia apresenta aos parceiros em potencial a proposta de cultivar palma, com garantia de compra de 100% da produção ao longo dos 25 anos de duração do contrato, independentemente de variações do mercado. Essa política justa de precificação permite aos agricultores a sustentação da parceria no longo prazo. Na safra mais recente, a produção dos parceiros somou 135, 5 mil toneladas, volume equivalente a 23, 3% do total de frutos processados pelas fábricas da Agropalma.
O programa gerou aumento médio de 528% da renda dos parceiros. “É muito gratificante ver tantas vidas sendo transformadas, ainda mais em uma região tão pobre. Gratificante para a empresa e para cada um de nós que estamos envolvidos nessa missão”, diz André Nogueira Borba, diretor Agrícola da Agropalma. A renda média dos agricultores familiares integrados ao projeto gira, hoje, em torno de R$ 15 mil mensais – muitos deles não ganhavam nem 10% disso quando começaram a parceria com a Agropalma.
Planos de expansão
A chave para o sucesso do programa está, em grande parte, na assertividade das ações, baseadas em necessidades reais dos agricultores. “A gente começa pelo básico, que é ajudar na regularização das terras. Muitas vezes, o produtor está há décadas naquele lugar sem nunca ter oficializado a posse da área”, conta o gerente do Programa Integração e Agricultura Familiar, Antonio Jorge Brandão Correa. Um dos critérios adotados nesse processo é a verificação, por meio de imagens retroativas de satélites, se não houve desmatamento após 2008.
O acompanhamento oferecido pelo programa inclui assistência técnica e treinamento contínuo sobre práticas de sustentabilidade e requisitos legais, além do fornecimento de insumos de alta qualidade a preço de custo, descontados no momento da entrega da produção. Tudo isso contribui para a certeza de renda estável, pilar fundamental de uma vida digna. Alcançar esse estágio não é simples para os pequenos agricultores brasileiros, por conta da volatilidade dos preços, da dificuldade de acesso aos insumos e da ausência de garantia de compra para suas safras. O programa da Agropalma resolve todos esses pontos.
Os planos de expansão do projeto incluem saltar, até 2028, dos atuais 505 para 700 produtores associados – com aumento da área total de 16, 2 mil hectares para 22 mil hectares. Por se tratar de um fruto perecível e que precisa estar na linha de produção dentro das 24 horas posteriores à colheita, a prospecção de parceiros se limita a oito municípios dentro do r
Um atrativo adicional foi aplicado recentemente ao programa: o incentivo para o cultivo associado de mandioca, uma vocação tradicional da região, com a produção sendo destinada a uma fecularia ou fabricação de farinha de mandioca. Com isso, os produtores associados conseguem obter renda extra até a primeira colheita da palma, realizada dois anos depois do plantio.
A tecnologia também tem proporcionado melhorias no projeto. Todos os registros de visitas agrícolas e fitossanitárias às propriedades são feitos com um aplicativo que o supervisor de campo carrega no celular e cujo acesso logo será ampliado para os produtores. “Esse processo facilita o acompanhamento da evolução de cada recomendação, com detalhes bem específicos”, descreve Borba. “Podemos, por exemplo, tratar uma planta e saber, pelas coordenadas exatas, se aquela planta teve a recuperação esperada. ”
Participação feminina
Entre as famílias que se tornaram donas do próprio negócio ao longo do projeto, 26, 2% são lideradas por mulheres, reflexo da crescente participação feminina no agronegócio brasileiro. É um porcentual superior à média nacional apresentada pelo Censo Agropecuário, que registrou 19% dos estabelecimentos rurais sendo dirigidos por mulheres.
São histórias como a de Iracema Pinto, que ingressou no projeto em 2005 e, além de ter conquistado o sonho da casa própria, está ajudando os filhos a alcançar metas pessoais. Iracema lidera toda a família no plantio de palma em oito hectares. “Meus filhos cuidam do trabalho braçal. Eu assumo outras funções, mas, quando é preciso, vou com eles para o campo”, ela conta.
Outra produtora que lidera a cultura de palma é Ângela Maria Santos, que também já construiu sua casa e adquiriu um carro. “Para crescer com o dendê, é só não ter medo de trabalhar. Lembro que, quando comecei, eu ia de domingo a domingo. Agora, até me dou folga aos finais de semana, pois posso contratar pessoas para ajudar minha família”, descreve Ângela.
Com operações iniciadas em 1982, a Agropalma atua em toda a cadeia produtiva, desde a produção de mudas e de óleo refinado e gorduras especiais até as soluções de alto valor agregado. Com 5 mil funcionários atualmente, conta com seis indústrias de extração de óleo bruto, duas refinarias e um terminal de exportação alfandegado.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo (04/11/25)





